Este prato foi criado e apresentado por Leonardo da Mata no seu restaurante, pelo menos, desde o princípio da década de 40 do século XX. A confeção parece ter tido como fonte de inspiração a consoada do pescador poveiro e a apresentação teve como base a forma de preparação dos farnéis, nomeadamente, para as romarias. Diz-nos a Dra. Maria da Glória Martins da Costa (“O Comer do Pescador Poveiro”, In Boletim Cultural da Póvoa de Varzim, nº XXVII, nº1, 1990), que o arroz que se preparava para levar à romaria era feito numa rabeta de barro que, depois de embrulhada num jornal, era “posta num guardanapo grande de olhos. As pontas do guardanapo eram atadas em cruz, duas a duas, por cima do testo”.
Na sua confeção eram utilizados ingredientes locais. A pescada era uma das principais capturas dos pescadores poveiros, sendo conhecida pela “pescada da Póvoa”. Havia mesmo embarcações especializadas neste tipo de pesca – a Lancha Poveira do Alto. Os vegetais provinham da fértil zona envolvente, sendo famosas as “batatas de Aver-o-Mar”.
O sucesso deste prato criou seguidores e hoje encontramos esta oferta em vários restaurantes da cidade que, seguindo o padrão base, apresentam várias cambiantes, nomeadamente na variação dos legumes utilizados e na confeção dos molhos, aspetos próprios do diferente entendimento da arte da culinária.